A segunda escola a cruzar a Passarela Pantaneira do Samba foi a GRES Estação Primeira do Pantanal, que levou para a avenida um desfile marcado pela emoção e pela força da ancestralidade. Com o enredo “Entrelaços: Heranças Ancestrais”, a agremiação apresentou um espetáculo potente, exaltando as raízes africanas que moldaram a identidade cultural brasileira. Cerca de 800 componentes, distribuídos em 17 alas, deram vida a um cortejo vibrante, repleto de simbolismo, cores e resistência.

Logo no primeiro setor, “A Travessia”, a escola emocionou o público ao retratar a dor e a coragem do povo africano durante o tráfico transatlântico. A comissão de frente, representando a grande Calunga, trouxe o mar como símbolo de sofrimento e espiritualidade, enquanto o carro alegórico do navio tumbeiro impactou pela força visual. O casal de mestre-sala e porta-bandeira defendeu o pavilhão com elegância, reforçando a conexão com a ancestralidade africana.

No segundo setor, a Estação destacou a influência da cultura afro-brasileira na culinária e na religiosidade. Alas coloridas celebraram pratos típicos, ervas sagradas e o sincretismo religioso, culminando em um carro alegórico que homenageou os orixás e os líderes espirituais da comunidade. A bateria, com 60 ritmistas, sustentou o desfile com cadência firme, enquanto a rainha brilhou à frente dos tamborins, simbolizando sabedoria e resistência.

Encerrando o desfile, a escola mergulhou na música, na dança e na herança cultural deixada pelos povos africanos. Alas dedicadas ao samba, à capoeira, ao lundu e à resistência negra transformaram a avenida em um grande manifesto contra o preconceito e a favor da valorização da identidade afro-brasileira.

O último carro, representando os “Entrelaços”, sintetizou a mensagem do enredo: passado e presente caminham juntos, fortalecendo a cultura e reafirmando que o Carnaval é, acima de tudo, celebração, memória e luta.